Desde a minha época de escola, eu carrego um hábito que sempre gerou curiosidade em quem estava ao meu redor. Eu nunca gostei de dividir os meus cadernos por matérias. A menos que a professora realmente exigisse ou brigasse comigo, eu preferia abrir a primeira página em branco e escrever tudo em sequência.
Hoje, percebo que essa escolha simples na infância já era um reflexo do meu caminho em direção ao minimalismo. Eu tentei mudar essa ideia ao longo dos anos. Comprei planners caros, testei aplicativos modernos no celular e comprei cadernos cheios de divisórias coloridas. No entanto, eu me sentia bloqueada por essas barreiras físicas. Foi apenas no meu caderno sem divisões que eu realmente consegui me encontrar de verdade.

O que é um Commonplace Book?
Mais tarde, eu descobri que esse meu hábito de infância tem um nome histórico muito bonito: Commonplace Book.
Essa prática secular consiste em manter um único livro ou caderno para registrar tudo o que você considera importante na vida. Grandes pensadores, artistas e filósofos do passado, como Marcus Aurelius e Virginia Woolf, também usavam esse método para arquivar a própria mente.
Por isso, a beleza desse caderno não está na categorização rígida, mas sim no registro corrido do seu cotidiano. Ele acolhe as suas anotações na sequência exata em que elas acontecem no tempo.
O Alívio de Eliminar as Divisórias e as Categorias
Para muitas pessoas, a ideia de misturar listas de mercado, pensamentos íntimos e anotações de trabalho na mesma página parece um caos. Contudo, para mim, essa mistura é exatamente o que traz leveza à minha mente.
Quando tentamos segmentar a nossa vida em pastas virtuais ou cadernos separados, criamos barreiras artificiais para a nossa criatividade. Portanto, ter um único lugar para descarregar a mente é libertador. No meu caderno de tudo, eu não preciso pensar em qual gaveta guardar uma ideia. Eu apenas pego a caneta e escrevo.
A minha única regra de organização é o carinho com o processo. Eu busco caprichar na caligrafia e, às vezes, mudar a cor da caneta para destacar algo especial. Assim, o caderno se torna visualmente agradável, mesmo sendo um repositório de ideias tão diversas.

O Resgate da Nossa Própria História
Uma das coisas mais bonitas de folhear os meus cadernos antigos é perceber a linha do tempo da minha própria vida. Como tudo é escrito na sequência dos dias, eu consigo ver o que eu estava estudando, sentindo e planejando em cada época.
Além disso, guardar vários cadernos temáticos me dava uma sensação de acúmulo desnecessário. Hoje, ao manter apenas um caderno ativo, eu pratico o minimalismo na sua forma mais pura: o essencial concentrado em um único lugar físico. É um arquivo vivo, um reflexo de quem eu sou.
Simplifique a Sua Escrita
Se você também se sente sobrecarregado com tantos aplicativos de notas ou pilhas de cadernos abandonados, eu te convido a fazer um teste. Compre um único caderno que você ame e adote a filosofia do commonplace book.
Com certeza, você vai perceber que a vida flui muito melhor quando paramos de tentar categorizar cada pedaço da nossa mente. O minimalismo não é sobre ter menos, é sobre ter o que é essencial. Para mim, o essencial é ter um espaço para ser quem eu sou.
Você já conhecia essa prática ou também usa um caderno de tudo por aí? Compartilhe comigo a sua experiência nos comentários. Eu adoraria saber como você organiza o seu mundo!
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