Muitas pessoas me perguntam se o meu caderno de tudo segue algum sistema rígido, com regras matemáticas de organização ou legendas complexas. A minha resposta é sempre a mesma: o grande segredo desse método é que ele se adapta exatamente ao meu estado de espírito do dia.
A vida real não é estática. Existem dias em que acordamos super inspiradas, com tempo e vontade de cortar revistas, colar flores secas e criar um registro visual cheio de detalhes. No entanto, existem dias em que a cabeça está cheia, o tempo é curto e a única coisa de que precisamos é descarregar tarefas pendentes em forma de lista rápida.
O meu caderno de tudo acolhe perfeitamente esses dois extremos, sem julgamentos e sem fazer um dia parecer “mais organizado” do que o outro.

Uma Mistura Leve de Várias Técnicas
Com o tempo, percebi que não preciso escolher entre o Bullet Journal, o Art Journaling ou o diário tradicional. Eu simplesmente absorvi o que cada técnica tem de melhor e trouxe para o meu papelaria minimalista:
- Do Bullet Journal: Uso as listas rápidas e os marcadores simples quando preciso resolver pendências de forma prática.
- Do Art Journal: Pego o amor pelas colagens, pelas fotos impressas e pelos papéis guardados de viagens ou momentos especiais.
- Do Diário Tradicional: Mantenho o espaço aberto para a escrita afetiva e a reflexão sobre o que estou sentindo.
Por isso, não existe uma estética obrigatória. Se o humor do dia pede tinta e cola, eu faço colagem. Se pede apenas uma caneta esferográfica preta na correria do trabalho, é exatamente isso o que a página vai receber.
A Regra de Ouro: A “Página Virada”
Embora a estética e o conteúdo mudem conforme o meu humor, existe um único esqueleto que mantém o caderno de tudo funcionando perfeitamente sem virar um caos: a regra da página virada.
Ela é surpreendentemente simples. Eu não deixo páginas em branco reservadas para depois, não crio divisórias fixas por assuntos e não divido o caderno entre “pessoal” e “trabalho”.
- Escrevo ou colo o que preciso hoje.
- Quando o assunto termina, faço um traço simples ou apenas coloco a data.
- Viro a página e começo o próximo registro na linha seguinte.
Portanto, a ordem cronológica é o único fio condutor. Uma receita saborosa que testei na terça-feira pode morar logo ao lado do planejamento do blog de quarta e de uma colagem relaxante feita no domingo à tarde.
O Verdadeiro Valor da Flexibilidade
Permitir que o seu caderno mude de cara conforme o seu humor é o que garante que você nunca vai abandoná-lo. Quando eliminamos a obrigação de manter um padrão visual “perfeito para a foto”, a escrita volta a ser um refúgio de paz.
O caderno de tudo não é um acervo de arte para impressionar os outros; é um espelho honesto do seu processo, das suas fases e da sua rotina real.
Você sente necessidade de manter um padrão estético nos seus cadernos ou gosta dessa liberdade de mudar a cada página? Comente aqui embaixo!
💬 Quer ver como essa liberdade na prática substitui os planners tradicionais? [Leia também o meu post sobre por que abandonei os planners datados].



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