Desde a minha época de escola, eu carrego um hábito que sempre gerou curiosidade em quem estava ao meu redor. Eu nunca gostei de dividir os meus cadernos por matérias. A menos que a professora realmente exigisse ou brigasse comigo, eu preferia abrir a primeira página em branco e escrever tudo em sequência.

Hoje, percebo que essa escolha simples na infância já era um reflexo do meu caminho em direção ao minimalismo. Eu tentei mudar essa ideia ao longo dos anos. Comprei planners caros, testei aplicativos modernos no celular e comprei cadernos cheios de divisórias coloridas. No entanto, eu me sentia bloqueada por essas barreiras físicas.

Foi apenas no meu caderno sem divisões que eu realmente consegui me encontrar.

O caderno de tudo é justamente isso: um único caderno usado para reunir anotações, ideias, listas, pensamentos, referências e registros do cotidiano, sem a necessidade de separar cada assunto em um lugar diferente. A ideia se aproxima do commonplace book, uma prática antiga de registrar em um mesmo espaço aquilo que queremos guardar, consultar ou simplesmente não esquecer.

O que é um Caderno de Tudo ou Commonplace Book?

Mais tarde, eu descobri que esse meu hábito de infância tem um nome histórico muito bonito: Commonplace Book.

A prática consiste em manter um único livro ou caderno para registrar aquilo que você considera importante. Ideias, trechos, referências, observações e aprendizados podem ocupar as páginas conforme aparecem na sua vida.

O que mais me atrai nesse método, porém, não é seguir uma tradição ou criar um sistema perfeito. É justamente a liberdade.

No meu caderno de tudo, as anotações aparecem na sequência em que acontecem. Não preciso decidir antes onde determinado pensamento pertence. Simplesmente escrevo.

O alívio de eliminar as divisórias e as categorias

Para muitas pessoas, a ideia de misturar listas de mercado, pensamentos íntimos e anotações de trabalho na mesma página parece um caos. Para mim, essa mistura é exatamente o que traz leveza à mente.

Quando tentamos segmentar nossa vida em inúmeras pastas virtuais ou cadernos separados, podemos acabar criando mais uma tarefa: decidir onde guardar cada coisa.

No meu caderno de tudo, eu não preciso fazer isso. Pego a caneta, encontro a próxima página disponível e escrevo.

Minha única regra de organização é o carinho com o processo. Gosto de caprichar na caligrafia e, às vezes, mudar a cor da caneta para destacar alguma coisa especial. Assim, o caderno continua visualmente agradável mesmo reunindo assuntos completamente diferentes.

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O resgate da nossa própria história

Uma das coisas mais bonitas de folhear meus cadernos antigos é perceber a linha do tempo da minha própria vida.

Como tudo é escrito na sequência dos dias, consigo ver o que estava estudando, sentindo, planejando e tentando resolver em determinada época. Uma lista aparentemente banal pode aparecer ao lado de uma ideia importante ou de algo que eu estava vivendo naquele momento.

E isso transforma o caderno em algo maior do que uma ferramenta de organização.

Ele acaba se tornando um pequeno arquivo da vida.

Além disso, guardar vários cadernos temáticos me dava uma sensação de acúmulo desnecessário. Hoje, ao manter apenas um caderno ativo, encontro uma simplicidade que combina muito mais comigo: o essencial concentrado em um único lugar físico.

O que escrever em um Caderno de Tudo?

Não existe uma lista obrigatória — e essa é justamente a graça.

No meu caderno podem aparecer coisas completamente diferentes na mesma sequência: uma ideia para um texto, uma lista de compras, algo que preciso resolver, uma frase que quero guardar ou simplesmente um pensamento daquele dia.

Você pode usar seu caderno de tudo para registrar:

  • ideias e pensamentos;
  • listas e tarefas;
  • anotações de livros;
  • frases e referências;
  • planejamento do dia;
  • lembranças;
  • projetos;
  • coisas que não quer esquecer.

Não é necessário criar uma seção para cada assunto.

Abra a próxima página disponível, coloque a data se quiser e escreva.

Essa liberdade é importante porque o caderno de tudo deve facilitar sua vida, não criar mais um sistema para você administrar.

Como começar seu próprio Caderno de Tudo

Você não precisa comprar nada especial para começar.

Um caderno que já tenha em casa e uma caneta são suficientes.

Se você também se sente sobrecarregado com aplicativos de notas, planners, agendas e pilhas de cadernos abandonados, experimente escolher apenas um deles e começar pela primeira página disponível.

Não se preocupe em criar categorias perfeitas antes de escrever. Também não precisa decidir previamente como seu caderno deverá funcionar daqui a seis meses.

Comece com o que precisa registrar hoje.

Com o tempo, você provavelmente encontrará naturalmente sua própria maneira de usá-lo.

Para mim, foi justamente quando parei de tentar categorizar cada pedaço da minha mente que esse hábito passou a funcionar de verdade.

O minimalismo não precisa significar viver com o mínimo possível. Ele pode simplesmente significar eliminar aquilo que complica desnecessariamente a nossa vida.

E, no meu caso, um único caderno continua sendo suficiente para guardar um mundo inteiro.

Você já conhecia essa prática ou também mantém um caderno de tudo? Compartilhe comigo sua experiência nos comentários. Eu adoraria saber como você organiza o seu mundo.

Gostou do texto? Se quiser conversar mais sobre minimalismo ou compartilhar sua própria jornada com a escrita, não deixe de [falar comigo através da nossa página de contato]


2 respostas a “Caderno de Tudo: Por Que Uso Esse Método Desde a Escola”

  1. Avatar de maristela Lima
    maristela Lima

    Achei muito massa, essa técnica do caderno de tudo.
    Fiquei aqui pensando, seria um caderno por ano? ou você só vai escrevendo nele até terminar as folhas independente do ano?
    E depois? o que você faz com os outros cadernos?

    1. Avatar de Juliana Mara

      Oiii, eu vou começando um atrás do outro, sem muito padrão. Quando vejo que um esta acabando, eu corro na papelaria e compro outro, cada vez de um formato (aquele que eu acho mais divertido, ou bonito). Daí no final do ano, quando eu faço a famosa “limpeza de fim de ano” tiro um tempinho para olhar as coisas que eu anotei, rever memórias boas (também os desafios) e descarto junto com o detralhe encerrando um ciclo. Já alimentei muitos cadernos, caderninhos e cadernões assim kkkkk. Se vc quiser saber mais me chama =)

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