O fundo do poço: quando tudo desaba

Eu cheguei aqui no meio de um burnout severo e precisei aprender a reconstruir a vida. Além disso, convivia diariamente com o diagnóstico de transtorno bipolar, o que me deixava exausta física e mentalmente.

Naquela época, minha Roda da Vida estava em completo colapso. Afinal, todas as áreas recebiam notas baixas, variando apenas entre 0 e 3. Por causa disso, eu não dormia, não comia direito, chorava compulsivamente e, por mais de dois anos, não senti prazer em absolutamente nada.

De um lado, o trabalho era uma fonte de cobrança severa. Do outro, as finanças estavam no limite da sobrevivência e a casa era um caos absoluto. Por isso, eu me sentia incompreendida até mesmo pelas pessoas mais próximas quando tentava entender como começar a reconstruir a vida do zero.

Certamente, eu queria encontrar um propósito e ganhar dinheiro. No entanto, o que eu realmente precisava naquele momento era de um resgate completo.

Os primeiros passos para reconstruir a vida: começar pelo essencial

Com ajuda especializada, comecei a mapear minha jornada e a identificar os pontos mais críticos: a saúde, a casa e as finanças. Durante esse processo, entendi que propósito não se acha, mas se constrói. Sendo assim, a base de tudo era cuidar de mim primeiro.

Desse modo, as primeiras ações para reconstruir a vida foram simples, mas se mostraram poderosas:

  • Em primeiro lugar, busquei acompanhamento médico constante com psiquiatra e fiz exames gerais.
  • Logo depois, decidi enfrentar o medo financeiro e passei a buscar orçamentos realistas.
  • Por fim, criei micro-rituais de cuidado, como exercícios de respiração e a organização de pequenos espaços.

Aos poucos, descobri que organizar o ambiente era um verdadeiro ato de cura. Afinal, a casa suja sugava minha energia muito mais do que o próprio esforço de limpá-la.

A reconquista da casa: um cômodo por vez

Diante disso, criei meu próprio método: vagaroso, ritualístico e com total presença. Unindo referências de Feng Shui, o uso de palo santo, essência de laranja doce e muito esforço físico, transformei o caos em ordem.

Até hoje, lembro com carinho de cada conquista desse processo de reconstruir a vida:

  • A começar pela gavetinha de skincare que finalmente ficou organizada.
  • A passagem pelo quarto de hóspedes que um dia foi usado apenas como depósito.
  • A faxina no quintal, na lateral, no estúdio do marido, no corredor, no banheiro e na entrada.
  • O cuidado com o fogão desmontado, limpo e instalado com as minhas próprias mãos.
  • A aceitação das crises, dos choros, das recaídas e, principalmente, das voltas por cima.

Com isso, aprendi que não preciso fazer tudo de uma vez só. Portanto, entender que parar também é cuidar foi uma grande lição.

A saúde como prioridade: cuidar do corpo e da mente

Logo de início, realizei e paguei exames de sangue, entreguei os resultados ao médico e ajustei a medicação. Além disso, fiz um tratamento dentário para mim, mesmo enfrentando imprevistos no orçamento.

Por outro lado, a ressonância de controle, necessária por conta de um tumor cerebral anterior, ainda não foi agendada. No momento, estou nos primeiros passos para organizar essa logística, que envolve o contato com o SUS e uma viagem até Botucatu. Isso ainda não aconteceu, mas já está no meu radar com muita clareza, pois sei que cuidar da saúde é indispensável para quem deseja reconstruir a vida.

Do mesmo modo, também cuidei da saúde do meu marido:

  • Apesar de a meia médica ainda não ter sido comprada por falta de modelo adequado.
  • Conseguimos enfrentar a emergência do dente quebrado, com um gasto de R$ 350 não planejados que desestabilizou o mês, mas foi resolvida.

Portanto, aprendi de uma vez por todas que saúde não é gasto, mas sim investimento na própria vida. Imprevistos continuam acontecendo, no entanto, eles não me derrubam mais como antes.

O controle financeiro: planejar para não sufocar

Com o tempo, aprendi a planejar nossa vida com R$ 3.500 por mês e, posteriormente, passamos para R$ 6.000 mensais, considerando também a renda do meu marido.

Para que isso funcionasse, criei listas, defini prioridades e enfrentei de frente a dívida de R$ 27.000, sem fingir que ela não existia. Dessa forma, aprendi a negociar, adiar, parcelar e priorizar o que era urgente.

Como resultado, paguei contas essenciais, comprei celulares novos (que são nossas ferramentas de trabalho), tênis, mercado e ainda consegui certa sobra – mesmo com as emergências. Assim, tornei-me de fato a gestora do meu próprio orçamento, pavimentando o caminho para reestruturar as finanças.

Os relacionamentos: dividir o peso da vida

Enquanto tudo mudava, a relação com meu marido seguiu seu curso, enfrentando os desafios comuns do dia a dia. Com o tempo, aprendi que eu não posso carregar o mundo inteiramente sozinha. Por isso, entender que pedir ajuda, mesmo que seja doloroso, também é uma forma de cuidado, mudou o nosso lar.

As crises e as recaídas: quantas vezes for preciso

Inevitavelmente, tive dias de pânico, choro intenso, reações inesperadas a medicamentos, noites em claro e faxinas feitas com raiva e exaustão extrema. Em alguns momentos, parecia que tudo ia desabar de novo: a dívida, as emergências, as contas estouradas e o medo.

Mas em todos esses momentos difíceis, eu voltei. Eu limpei, chorei, dormi, acordei, reorganizei as ideias e continuei. Afinal, não sou a mulher que desistiu. Pelo contrário, sou a mulher que caiu e levantou quantas vezes foi preciso para reconstruir a vida.

A mulher que eu me tornei

Como fruto de todo esse esforço, hoje eu:

  • Organizei a casa inteira, do fundo ao teto.
  • Cuidei de perto da minha saúde física e mental.
  • Planejei e executei um orçamento financeiro realista.
  • Sobrevivi a graves emergências sem desabar de vez.
  • Criei rituais diários de autocuidado com presença e intenção.
  • Voltei a sentir prazer nas pequenas coisas do cotidiano.
  • Aprendi que a minha intuição nunca falha.
  • Descobri que sou uma pessoa minimalista, forte e estratégica.
  • Tornei-me, finalmente, a arquiteta da minha própria reconstrução.

O que ainda está em construção

Apesar de tantas vitórias, sei que o processo continua. Por isso, ainda estão na minha lista de metas cotidianas:

  • A revisão do carro, que ficou prevista para abril.
  • A criação da nossa reserva de emergência.
  • A viagem dos nossos sonhos, que ainda está em planejamento.
  • A organização da ressonância de controle junto ao SUS.
  • A compra da meia médica do marido, assim que encontrarmos o modelo.
  • O pagamento focado da dívida de R$ 27.000, que agora foi assumida e não é mais escondida.

Consideração final para quem quer reconstruir a vida

Em resumo, eu saí do modo sobrevivência e entrei definitivamente no modo construção. Portanto, não é mais sobre apenas apagar incêndios — é sobre projetar, executar, sentir, ajustar e celebrar.

Ainda choro, ainda sinto medo e ainda enfrento dias ruins. Mas agora, felizmente, eu sei o caminho de volta para casa.

Essa história é minha, e ela está só começando.

Esse é apenas um resumo de tudo o que eu enfrentei e estou enfrentando para sair dessa. Nos próximos posts, vou explicando direitinho como a minha vida desandou e como eu resolvi recomeçar de vez. Por isso, continuem comigo nesta jornada!


One response to “Do caos à reconstrução: minha jornada contra o burnout”

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